No programa desta semana a gente apresenta algo de porro, son e plena, ritmos e estilos musicais que vêm colocando muita gente para dançar mundo afora.
Ele contava histórias, desenhava e era um destacado ourives. Mas Don Alfonso Córdoba, El Brujo, era sobretudo um grande pesquisador e compositor. Figura central da cultura chocoana, El Brujo faleceu há pouco, aos 83 anos, em Quibdó, município do departamento de Chocó, no litoral colombiano e deixou inéditas boa parte de suas mais de 800 composições. O departamento de Chocó concentra boa parte da população afro-colombiana e tem o orgulho de ser o único departamento colombiano a ter tanto o litoral pacífico quanto o caribenho. E esta privilegiada localização geográfica permitiu também que por ali circulassem muitas informações culturais. O trabalho de Alfonso Córdoba é, de certo modo, resultado desta rica confluência de saberes musicais.
Confira aqui algo da vida e da obra deste grande mestre:
(clique sobre o nome da canção para ver a letra ou o vídeo)
Lo que le pasó a Neptolio - um "porro chocoano", que é um gênero musical colombiano que conjuga heranças européias, africanas e indígenas. “Lo que le pasó a Neptolio” foi composto por Augusto Lozano Asprilla e interpretado por Alfonso Córdoba, El Brujo – ambos ex intregrantes de Los Negritos del Ritmo, grupo que de 1963 a 1973 fez a alegria de muitos colombianos com suas altamente dançáveis composições inspiradas nas tradições chocoanas.
Oda raizal – outra bela composição de Alfonso Córdoba que traz alguns versos cantados em quimbundo, língua de origem angolana pertencente ao conjunto banto.
Huellas del pasado – um belo son cubano interpretado por Pablo Milanés, Compay Segundo e Cotán el Albino. O son é um dos mais populares gêneros musicais cubanos e a partir de uma série de variações deu origem ao que hoje se conhece pelo mundo como “salsa”.
Juan Sebastián y su combo latino – composto e interpretado pelos rapazes do Trombones de Costa Rica, um quarteto que transita tanto pela música de câmara, quanto pelo repertório popular e tradicional latino-americano. “Juan Sebastián y su combo latino” é a última parte de uma composição que toma como ponto de partida uma conhecida pastoral de Johann Sebastian Bach e, após uma série de variações, transforma-se no que poderia ser chamado de “salsa barroca”.
Camino a Puerto Ayora – composto e interpretado por Héctor Napolitano, el viejo Napo, um músico talentosíssimo que transita tanto pelo blues e pelos ritmos tradicionais equatorianos quanto pelos ritmos caribenhos. "Camino a Puerto Ayora" foi incluída no CD El refrito, que traz uma série de composições relacionadas ao entorno das ilhas Galápagos, onde Napo viveu por uns tempos.
Café Trasmontana – composta e interpretada pelo cantor e compositor argentino Alberto Caleris, ele que mora já há algumas décadas no Equador e realizou no início dos anos 2000 uma interessantíssima pesquisa junto às comunidades negras da província de Esmeraldas, no litoral norte equatoriano. O resultado deste trabalho foi o CD Fiesta en el mar, um CD lançado em 2002 e que traz aí toda a riqueza musical desta bela região equatoriana.
Ya eyaculé – composta e interpretada pelo espanhol Joaquín Sabina, esta é outra de suas bem humoradas e libidinosas canções. Gravada no CD Dímelo en la calle, lançado em 2002, esta canção traz em sua letra alguns fragmentos do belo poema “Canto negro”, do cubano Nicolás Guillén. “Canto Negro” foi publicado no famoso Songoro Cosongo, um livro de poemas em que Guillén explora uma série de sons que evocam a musicalidade da língua iorubá.
Yambambé – composta e interpretada feita pelo percussionista cubano Ribeaux Vega, esta canção tem como letra justamente o famoso poema de Nicolás Guillén e foi gravada no CD Yambambé, lançado em 2002.
Noches guajiras – um son composto pelos peruanos do Novalima, um coletivo cujo trabalho se caracteriza por suas misturas entre os ritmos da tradição afroperuana e a música eletrônica. Em “Noches guajiras” eles contam com a participação especial do famoso sonero peruano Chaqueta Piaggio nos vocais.
Vengo tumbando – tema instrumental dos colombianos do La República, um projeto musical de jazz latino dirigido pelo pianista Juancho Valencia, que conta nesta composição com os belos solos de flauta a cargo de Leon Giraldo, de Trombón com Vladimir Hurtado e de piano com o próprio Juancho Valencia.
Quítate de la via, Perico (vídeo)– composta pelo "sonero mayor" Ismael Rivera e interpretada aqui pelo percussionista peruano Alex Acuña e pelo saxofonista colombiano Justo Almario. Esta divertida canção foi incluída no CD El bongó de Van Gogh – premiado CD do grupo Tolú, projeto capitaneado por Acuña e Almario e que se caracteriza por experimentar misturas entre o jazz e ritmos folclóricos colombianos e latino-americanos em geral. Confira aqui um vídeo dos anos 60 com Ismael Rivera.
Tumbalakatin – uma plena composta e interpretada pelos portoriquenhos da Plena Libre. A “plena” é um dos importantes ritmos da tradição popular portoriquenha e se caracteriza por ser uma canção narrativa, similar ao corrido mexicano, ao vallenato colombiano e aos cordéis brasileiros. A versão que a gente apresenta aqui, no entanto, propõe uma série de brincadeiras com os sons das palavras, na melhor tradição de Mon Rivera, cantor, músico e compositor que criou um estilo único de interpretar a plena.
Que me pongan donde hay – composta e interpretada pelo franco-cubano Sargento García, cujo trabalho se caracterizou pela mistura entre a salsa e o raggamuffin, além de trabalhar com diversos dos outros deliciosos ritmos cubanos. "Que me pongan donde hay" foi incluída em seu CD La semilla escondida, lançado em 2003.